Portanto, no dia seguinte, mais ou menos à mesma hora, o nosso homem entrou na loja, sentou-se, e esperou. Passado algum tempo, chegou a vez dele. Agora, instalado na cadeira resolveu fazer a barba também, pois, pensava, se não ia pagar o corte de cabelo teria dinheiro bastante para fazer a barba. Tudo correu bem até ao momento de pagar. Entregou a importância da barba e preparou-se para sair quando o barbeiro, olhando para o dinheiro, lhe perguntou: "E o dinheiro do cabelo?" "Mas .... mas diz ali na montra que é de graça". "Não, meu caro senhor, hoje não é de graça" disse o barbeiro. "Mas eu passei por aqui ontem, vi o anúncio e hoje vim de propósito porque, conforme diz, é de graça". "Ora, meu amigo, respondeu-lhe o barbeiro, "continua a ser verdade que amanhã é de graça. Só que hoje não é amanhã" .
Mas é também possível ter medo do amanhã e, com certeza, foi este pensamento que, uma vez, levou alguém a falar numas pessoas que, disse, "andavam a fugir do amanhã". Eis uma frase intrigante: "fugir do amanhã". Fugir do passado, sim. Muita gente faz isso, mas acho dificil mesmo fugir do amanhã porque, ao contrário do que aconteceu com o homem no barbeiro, o amanhã sempre chega .......
Não sei se o seu pedido foi deferido ou não, mas se foi então conseguiram mais uma hora de vida. Mas, a verdade é que, mais hora menos hora, o amanhã sempre vem .......
Mas, se assim pensamos, andamos enganados, e vamos ver porque .....
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