"HISTÓRIA DE DOIS AMORES!"

        Hoje vamos falar de amor, caro amigo. De amor e cartas, ou melhor, de cartas de amor. No primeiro caso que vamos relatar, trata-se de um amor que, infelizmente, não foi retribuido. Não há nada mais triste do que uma pessoa que ama mas cujo amor, além de não ser retribuido, é rejeitado. Tal foi o caso de José Cabeza, um jovem espanhol que se apaixonou tanto por uma jovem que resolveu escrever-lhe. Mas não foi só uma carta. Escreveu quarenta. Quarenta cartas de amor. De amor apaixonado, de amor romántico, de amor quixotesco. Quarenta cartas que José Cabeza escreveu à sua amada, uma jovem farmaceutica. Escreveu estas quarenta cartas durante um intervalo de cinco anos. Mas, como já dissemos, o seu amor não foi correspondido. E quando José quis publicar um livro com as suas cartas, para perpetuar na página impressa o seu romance, a pequena opûs-se a isso e levou o assunto a tribunal. E o livro de José, suas cartas de amor, foi confiscado pelas autoridades

        Ora, caro amigo, há duas coisas melancólicas nesta pequena notícia que nos veio de Espanha. Primeiro, o amor não correspondido. Triste caso de um rapaz enamorado, que declara o seu amor com palavras ardentes, mas que foi rejeitado. A segunda coisa melancólica é que não deixaram José publicar as suas cartas de amor. A pequena sentiu-se ferida na sua dignidade e, por meio da Justiça, impediu a publicação do livro. E pode-se perguntar: se a Dom Quixote deixaram publicar os seus sonetos a Dulcinea, ¿porque não deixar José Cabeza publicar as suas cartas de amor à jovem farmaceutica? Pois, o amor, quando é puro, é a coisa mais formosa que há sobre a terra .......

        Quarenta cartas de amor, escritas no prazo de cinco anos, e todas elas rejeitadas e confiscadas. Eis a nossa primeira história. O segundo caso que vamos relatar é também sobre o amor, e sobre cartas de amor, também. Mas é uma história mais feliz porque conta de um amor não rejeitado, de um amor retribuido .......

Lila & José

        Lila escreveu a sua carta de amor, e meteu-a nos correios na cidade de Canberra, na Austrália. João escreveu a sua carta de amor e depositou-a nos correios de Bristol, em Inglaterra. E as cartas, que seguiram por via aérea, cruzaram-se no ar, e chegaram aos seus destinos. Uma para Inglaterra e outra para Austrália. Isto sucedeu durante nada menos de 15 anos! Lila estava presa em Canberra e João estava preso em Bristol em Inglaterra. Ambos se conheceram por meio de uma carta que João tinha escrito a uma revista em que ele pediu alguém para corresponder-se com ele. E, finalmente, após três lustros de espera, encontraram-se em Bristol e casaram-se. Feliz desfecho de uma troca de cartas de amor .......

        Caro amigo, eis outra história de amor. Desse amor humano que, quando é de boa qualidade, supera todas as barreiras. Lila e João conheceram-se por meio de cartas, quando ambos estavam presos, separados por 8,000 km. de distância. Mas, quando o amor é bom e baseado, não só em qualidades físicas, mas acima de tudo em qualidades espirituais e morais, resiste a qualquer provação. Um amor destes não tem preço, caro amigo. É como diz o ditado; "O amor com amor se paga" .......

        Não sei se o prezado amigo já alguma vez se sentiu rejeitado. Se, como no caso de José Cabeza de Espanha, ofereceu amizade, ou até amor, a alguém, e foi recusado. A dor e a mágoa que tal rejeição produzem podem marcar a nossa alma durante muito tempo. Então, se foi assim na sua experiência, pode muito bem compreender a dor de quem escreveu as seguintes palavras: "Por que razão vim eu, e ninguém apareceu? Chamei e ninguém respondeu?" Trata-se, evidentemente, de alguém que esperava no lugar indicado, à hora combinada, e ninguém apareceu. Chamou e ninguém respondeu. Esse Alguém que esperava é Deus, caro amigo e, na passagem da Bíblia onde aparecem as palavras há pouco citadas, Deus está a queixar-se do Seu povo que, apesar do Seu amor, O rejeitou. Até, num certo sentido, a Bíblia é um livro que contém as cartas de amor de Deus, cartas escritas aos homens a quem Ele ama. São cartas únicas, perfeitas, de um amor sublime. Cartas escritas com sentimento, com espírito e com sangue. E não são apenas quarenta, são todas as que se encontram na Bíblia. São os livros da Bíblia, a maior mensagem de amor, de salvação, de liberdade e esperança jamais escrito. A mensagem de Cristo Jesus, o Filho de Deus morrendo na cruz para remir e salvar os homens, e ressuscitado para oferecer a vida eterna .......

        Mas, infelizmente, como no caso da jovem a quem José Cabeza escreveu as suas cartas de amor, a maioria dos homens está a rejeitar esta mensagem do amor de Deus. E podemnos muito bem imaginar como se sente Deus ao verificar esta rejeição. Aliás, foi assim desde o princípio. Falando da vinda de Jesus ao mundo eis o que diz o apóstolo João no início do seu Evangelho: "Ali estava a luz verdadeira (Jesus), que alumia a todo o homem que vem ao mundo. Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam".

        Não vamos esquecer-nos de Lila e João. Havia amor e aceitação dos dois lados. Quer dizer, João escreveu a sua carta de amor e ela foi aceite. E o resultado foi a união de dois seres nos laços do amor. No nosso caso, se aceitarmos o amor de Deus revelado no Seu Filho, Jesus, Deus far-nos-á membros da Sua família, conforme o apóstolo João diz logo em seguida e citamos: "Mas, a todos quantos O receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; aos que crêem no Seu nome". Será que hoje mesmo vamos aceitar este maravilhoso amor de Deus?


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